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O que é VFC? Definição, fórmula e exemplo

Definição

A variabilidade da frequência cardíaca (VFC) é a variação, batimento a batimento, do intervalo entre dois batimentos do coração, geralmente expressa como rMSSD em milissegundos e acompanhada pelos atletas como indicador de como o sistema nervoso autônomo está absorvendo o treino.

O coração não bate como um metrônomo. A 50 batimentos por minuto, o intervalo médio entre dois batimentos é de 1,2 segundo, mas um pode durar 1.150 ms e o seguinte 1.240 ms. A variabilidade da frequência cardíaca (VFC, ou HRV em inglês) mede essa variação. A maior parte da variação rápida, batimento a batimento, vem do nervo vago, o “freio” parassimpático do coração. Por isso a VFC é uma janela, estreita e cheia de ruído, para ver como o seu sistema nervoso autônomo está lidando com treino, sono, doença e estresse.

Como a VFC é calculada

Existem dezenas de índices de VFC (o documento da Task Force de 1996 lista quase todos). Atletas e relógios usam principalmente o rMSSD, a raiz quadrada da média dos quadrados das diferenças sucessivas entre intervalos RR:

rMSSD = √( Σ (RRi+1 − RRi)² / (N − 1) )

  • RRi = tempo entre dois batimentos consecutivos, em milissegundos
  • N = número de intervalos da gravação

O rMSSD reflete bem a atividade vagal e funciona em gravações curtas: alguns minutos deitado ao acordar, ou as fases de sono profundo que o relógio escolhe durante a noite. Como os valores diários são assimétricos (algumas noites muito altas puxam a média para cima), os estudos sobre treino costumam usar o logaritmo natural, ln rMSSD, antes de tirar médias.

Um exemplo com números

Pegue cinco intervalos RR consecutivos: 1.000, 1.050, 980, 1.020 e 990 ms.

  • Diferenças sucessivas: +50, −70, +40, −30 ms
  • Quadrados: 2.500 + 4.900 + 1.600 + 900 = 9.900
  • Média sobre as 4 diferenças: 9.900 / 4 = 2.475
  • rMSSD = √2.475 = 49,7 ms, ou seja, ln rMSSD = 3,91

Uma gravação real tem centenas de intervalos, mas a conta é a mesma. Agora uma semana de leituras noturnas: 62, 58, 65, 48, 60, 63 e 59 ms. A média dos logaritmos é 4,08, que volta a ser 59 ms. A noite de 48 ms, depois do longão de domingo, assusta sozinha e quase não mexe no número da semana. Se a semana seguinte marcar 52, 49, 55, 50, 47, 51 e 48 ms, o valor de 7 dias cai para 3,92 (50 ms). Aí é uma mudança que se mantém, e vale uma pergunta.

Como usar no treino

O número de uma única manhã diz pouco. Plews e colegas (2013) mostraram que, em atletas de endurance de elite, a média móvel de 7 dias do ln rMSSD, e o quanto ela oscila, acompanha a adaptação muito melhor do que leituras isoladas. Uma rotina prática:

  • Meça sempre do mesmo jeito: à noite com o mesmo relógio, ou ao acordar, deitado, antes do café.
  • Monte uma referência com pelo menos três ou quatro semanas de treino normal e defina a sua faixa habitual em torno dela.
  • Leia a média de 7 dias em relação a essa faixa, junto com a frequência de repouso, o sono e as sensações nos treinos.

Kiviniemi e colegas (2007) foram além: um grupo de homens moderadamente treinados só fazia os treinos fortes nos dias em que a VFC não tinha caído, e rodagem leve nos outros. Eles melhoraram a velocidade máxima de corrida mais do que um grupo com uma planilha fixa. A ideia é útil, mas é um estudo com grupos pequenos, não uma regra. Para a maioria dos atletas, a VFC serve sobretudo para olhar uma semana com mais cuidado: se a média de 7 dias está abaixo da sua faixa há uma semana, a frequência de repouso subiu e os 5 × 4' no limiar pareceram uma prova, faça o dia leve.

A OpenAthlete importa a VFC noturna de Garmin, Polar, Suunto e COROS (você também pode registrar à mão), mostra o valor da noite na linha de bem-estar de cada dia do calendário e traça a média móvel de 7 dias do ln rMSSD nas estatísticas de recuperação. Ela mostra a tendência; não a transforma em uma nota de prontidão.

Limites

Os valores absolutos são pessoais: entre pessoas saudáveis e treinadas vão de menos de 30 a mais de 100 ms, então se comparar com um parceiro de treino não faz sentido. Os aparelhos também diferem: alguns dão o rMSSD da noite inteira, outros o de uma janela de 5 minutos, outros uma nota própria; trocar de relógio zera a sua referência. Álcool, jantar tarde, calor, viagens e o ciclo menstrual mexem na VFC sem relação com o treino. E mais alto nem sempre é melhor: Buchheit (2014) lembra que, em atletas muito treinados, a VFC pode parar de subir ou até cair durante um bloco pesado enquanto eles se adaptam bem, e que uma alta brusca pode acompanhar uma fadiga profunda. A VFC é um sinal entre outros; leia junto com o quanto os treinos pesaram e com as suas curvas de carga, nunca sozinha.

Fontes

  1. Task Force of the European Society of Cardiology and the North American Society of Pacing and Electrophysiology (1996). Heart rate variability: standards of measurement, physiological interpretation and clinical use. Circulation 93(5): 1043–1065. doi.org/10.1161/01.CIR.93.5.1043
  2. Plews DJ, Laursen PB, Stanley J, Kilding AE, Buchheit M (2013). Training adaptation and heart rate variability in elite endurance athletes: opening the door to effective monitoring. Sports Medicine 43(9): 773–781. doi.org/10.1007/s40279-013-0071-8
  3. Kiviniemi AM, Hautala AJ, Kinnunen H, Tulppo MP (2007). Endurance training guided individually by daily heart rate variability measurements. European Journal of Applied Physiology 101(6): 743–751. doi.org/10.1007/s00421-007-0552-2
  4. Buchheit M (2014). Monitoring training status with HR measures: do all roads lead to Rome? Frontiers in Physiology 5: 73. doi.org/10.3389/fphys.2014.00073

Perguntas frequentes

Não existe valor-alvo. O rMSSD noturno vai de menos de 30 ms a mais de 100 ms entre pessoas saudáveis e bem treinadas, conforme idade, genética e aparelho. Compare a sua média de 7 dias com a sua própria referência das semanas anteriores, não com a dos outros.

Não sozinha. Uma queda de uma ou duas noites depois de um longão ou de uma prova é a resposta normal a uma carga grande. O que merece atenção é uma média de 7 dias que fica abaixo da sua faixa habitual por uma semana ou mais, principalmente com sono ruim, frequência de repouso subindo ou treinos mais pesados do que deveriam.

Os valores diários de rMSSD são assimétricos: algumas noites muito altas puxam a média para cima. O logaritmo natural (ln rMSSD) deixa a distribuição mais simétrica, e médias e desvios-padrão se comportam melhor. É a convenção da maioria dos estudos sobre treino.

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