Pular para o conteúdo
OpenAthlete

Comunicação treinador-aluno: um check-in semanal que funciona

Treinadores e alunos muitas vezes discordam sobre o quanto um treino foi duro. Uma estrutura simples de mensagens, check-ins e feedback reduz essa diferença.

OpenAthlete Team4 min de leitura

Em 2014, um grupo de pesquisa de Groningen pediu aos treinadores de duas equipes de base de um clube de futebol profissional que dessem uma nota, antes de cada treino, para o quanto queriam que ele fosse duro. Depois do treino, os jogadores davam nota para o quanto tinha sido duro. Ao longo de uma temporada inteira e mais de 2.400 treinos, as duas notas quase não batiam. Os jogadores achavam os dias leves mais duros do que o planejado e os dias duros mais leves (Brink et al., International Journal of Sports Physiology and Performance, 2014).

E isso num ambiente profissional, com os treinadores presentes em todos os treinos. Um treinador on-line com quinze corredores amadores enxerga muito menos. Se você não pergunta, de forma estruturada, como o treino foi vivido, está planejando em cima de suposições.

Defina onde fica cada tipo de mensagem

A maior parte dos problemas de comunicação entre treinador e aluno é problema de arquivo. O feedback dos tiros de terça está enterrado num grupo de WhatsApp, entre a foto de um cachorro e uma dúvida sobre inscrição. Três semanas depois, nenhum dos dois acha mais.

Algumas regras simples resolvem quase tudo:

  • Tudo o que é sobre um treino fica naquele treino: sensações, uma dúvida sobre o pace, sua resposta. Fica junto dos dados e você encontra de novo quando for montar o próximo bloco.
  • Logística e conversa geral ficam no chat: viagens, inscrições, "posso trocar o sábado pelo domingo?".
  • O que é emocional ou complicado vai para uma ligação: uma prova ruim, uma lesão que volta, dúvidas sobre o objetivo. O texto apaga o tom, e dez minutos de ligação resolvem o que vinte mensagens não resolvem.

Explique isso aos alunos novos no primeiro dia. Eles não vão adivinhar.

Um check-in semanal de dez minutos

Um check-in regular funciona melhor do que mensagens soltas porque torna o silêncio visível. Peça aos alunos que mandem, até domingo à noite, quatro linhas curtas:

  • Como foi a semana no geral, de 1 a 10.
  • Sono, trabalho e estresse: o que fugiu do normal.
  • Alguma dor: onde e quanto, de 0 a 10. "Nada" é uma resposta útil.
  • Algo que querem para a próxima semana, ou uma restrição.

Responda na segunda, também com quatro pontos:

  • Uma observação concreta dos dados: "Desde setembro seus treinos leves caíram de 142 para 136 bpm no mesmo pace."
  • Algo que deu certo, e por que importa. "Bom trabalho" não é feedback; "você se segurou nos dois primeiros tiros, por isso o último foi o mais rápido" é.
  • Para que serve a próxima semana, em uma frase.
  • Qualquer mudança na planilha, e o motivo.

Para alunos num plano mais barato, faça a cada duas semanas ou uma vez por mês. A estrutura importa mais que a frequência.

Use o RPE como conversa, não como formulário

O RPE da sessão, a nota que o aluno dá ao treino inteiro numa escala de 0 a 10 depois que ele termina, multiplicada pela duração em minutos, é uma forma simples e bem estudada de quantificar a carga interna (Foster et al., Journal of Strength and Conditioning Research, 2001). É também o canal de feedback mais barato que você tem. Um regenerativo de 45 minutos com nota 7 merece uma pergunta. Três seguidos são um padrão: sono ruim, uma gripe chegando, pace alto demais ou uma vida que ficou mais pesada.

Comente a nota, pelo menos de vez em quando. Os alunos param de preencher o RPE quando sentem que ninguém lê.

Escreva o objetivo no treino

"Tempo 3 × 10'" diz ao aluno o que fazer, não por quê. Uma linha de intenção muda o jeito como o treino é corrido: "Forte mas controlado, você deve conseguir falar uma frase curta. Se o último tiro sair bem mais lento que o primeiro, o primeiro foi rápido demais." E ainda responde às perguntas que chegariam por mensagem.

O vocabulário merece o mesmo cuidado. Limiar, tempo, Z2, VMA, "leve": cada treinador usa de um jeito um pouco diferente. Tenha um glossário curto com suas definições e os paces do aluno, e mande na primeira semana.

Treinos ruins e provas ruins

É aí que a confiança se ganha ou se perde. O que costuma funcionar: perguntar antes de analisar ("Como foi por dentro?"), separar o que dependia do aluno do que não dependia (calor, um percurso com mais altimetria do que o esperado, um resfriado), apontar uma coisa para manter e uma para mudar, e passar para o próximo objetivo na mesma semana. Evite a análise por escrito na mesma noite. O aluno está cansado e decepcionado; você está lendo um gráfico. No dia seguinte, por telefone, é melhor.

Combine um prazo de resposta

Os alunos não precisam de resposta instantânea. Precisam saber quando ela vai chegar. Coloque por escrito: "Respondo em até um dia útil, fim de semana não, exceto na semana da prova." E cumpra. É melhor do que responder às 23h numa semana e depois de quatro dias na seguinte.

Os psicólogos do esporte que estudam a relação treinador-atleta a descrevem com ideias como proximidade, compromisso e complementaridade (Jowett e Ntoumanis, Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports, 2004). A distância, elas se constroem principalmente com pequenas rotinas confiáveis: a resposta de segunda que sempre chega, o comentário que mostra que você olhou a corrida.

Como o OpenAthlete foi pensado para isso

No OpenAthlete, cada treino e cada atividade tem sua própria thread de comentários, separada do chat geral, que pode ser individual ou em grupo, com confirmação de leitura. Você escolhe quais eventos do aluno geram um aviso na sua conversa (atividade nova, comentário, RPE alterado), e pode exigir um RPE ou um comentário antes de um treino contar como feito. Com a IA ativada, os alunos respondem algumas perguntas curtas depois de cada atividade, por texto ou por voz, e as dores relatadas aparecem na sua lista de alunos para olhar. Mais na página para treinadores.

Escrito por

OpenAthlete Team

O OpenAthlete é uma plataforma de treino de código aberto criada em Grenoble por um desenvolvedor independente e ultramaratonista, com o retorno dos treinadores e atletas que a usam. Sem investidores, sem anúncios.

Continue lendo

Treine com números que você pode conferir.

Todas as fórmulas que o OpenAthlete usa estão no código-fonte, e todos os recursos são grátis nos nossos servidores ou nos seus.

Grátis para sempre. Sem cartão de crédito.